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Morre
no Rio de Janeiro o economista Celso Furtado
Mylena Fiori - repórter da Agência
Brasil
São Paulo - O senador Aloísio Mercadante interrompeu há pouco a reunião
do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, que ocorre em São Paulo
neste fim de semana, para informar que o economista Celso Furtado faleceu em
seu apartamento, no Rio de Janeiro. Segundo Mercadante, os membros do diretório
do partido prestaram homenagem a um dos maiores intelectuais da história
brasileira com um minuto de silêncio. O corpo do economista deve ser velado
na Academia Brasileira de Letras.
O líder do governo no Senado lembrou que o Celso Furtado era um
desenvolvimentista. "É um homem que nos ajudou em todo esse governo,
incentivando, apoiando, sugerindo caminhos", disse. "Não só este
mas todos os governos democráticos do País tiveram de alguma forma a sua
contribuição. É uma perda irreparável". Mercadante também lembrou
que, em comum acordo com Maria da Conceição Tavarez, foi Furtado quem
indicou Lessa para presidir o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES)
www.radiobras.gov.br
20/11/2004
Saiba quem
foi o economista Celso Furtado
Brasília - Celso Furtado nasceu, em
1920, em Pombal, Paraíba. Entre 1944 e 1945, participou da Força Expedicionária
Brasileira, durante a Segunda Guerra Mundial, na Itália. Doutor em Economia
pela Universidade de Paris-Sorbonne, figurou entre os maiores pensadores
mundiais de seu tempo, sendo inclusive candidato ao prêmio Nobel de
Economia.
Desde os anos 50, Furtado desenvolveu teorias sobre o desenvolvimento econômico
e estudou em profundidade a história econômica do Brasil e a da América
Latina. Seus livros Formação Econômica do Brasil e A Economia
Latino-Americana foram traduzidos para uma dezena de línguas, inclusive
para o chinês e o persa, e influenciaram a famosa Escola dos Anais, como
reconheceu um de seus fundadores, o historiador Fernand Braudel. Seus estudos
sobre a história dos Estados Unidos e a formação do capitalismo na Europa
são considerados clássicos.
Em 1953, o economista presidiu o grupo misto da Organização das Nações
Unidas, responsável pela elaboração do estudo sobre a economia brasileira
adotado como base do Plano de Metas do governo Kubitschek, dois anos depois.
Em seus trabalhos mais recentes, Furtado analisa o impacto da
transnacionalização e da globalização na economia capitalista contemporânea.
Da mesma forma, ele também aprofunda seus estudos sobre as dimensões
culturais e sociais do desenvolvimento.
Como homem público tornou-se conhecido por ocasião da criação da
Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), em 1958, durante o
governo do presidente Juscelino Kubitschek. Posteriormente, ele ocupou o
posto de ministro do Planejamento do governo João Goulart.
Em seguida ao golpe militar de 1964, Furtado teve seus direitos políticos
cassados e viveu no exílio, primeiro nos Estados Unidos, como professor da
Universidade de Yale, e depois na França, como professor da Universidade de
Paris (1965-85) e da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais. Com a
redemocratização do país, foi embaixador do Brasil junto à Comunidade
Econômica Européia, em Bruxelas, e, depois, ministro da Cultura.
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20/11/2004
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