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Feste e tradizioni

 

 

 

Brasil - Mito é símbolo de resistência 

 

Bernardete Toneto da Redação

 

 

De personagem mítico, o saci passou a ser símbolo de resistência cultural  e do homem livre. Essa é a opinião do saciólogo Mario Cândido da Silva  Filho, da Sosaci. Citando o folclorista Luís da Câmara Cascudo, morto em  1986, ele lembra que o repertório mitológico do nosso país é bastante  rico, permitindo trocas de mão dupla com os cidadãos da comunidade  planetária.

Segundo Cândido, o mito do saci é encontrado também na Argentina e no  Paraguai, como um curumim (criança indígena) peralta, com duas pernas e um  rabo. No Brasil, sai a cor morena dos índios e, associado à mitologia  africana, se torna um negrinho que perdeu uma perna lutando capoeira e  ganhou um cachimbo, tradicional da cultura negra. O grande símbolo de liberdade do saci é o gorro vermelho. Tratase da  tradução abrasileirada do piléu, que era dado aos escravos alforriados no  Império Romano. É esse também o símbolo do barrete frígio, que se tornou a  imagem da liberdade individual e coletiva.

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Folclore e massificação

Nascido no Rio Grande do Norte, Luís da Câmara Cascudo foi o primeiro  folclorista brasileiro a estabelecer a ponte entre a cultura popular e o  folclore, que classifi cou como um patrimônio de tradições. Em um de  seus livros mais conhecidos, Folclore do Brasil, ele afi rma que “o  folclore, sendo uma cultura do povo, é uma cultura viva, útil, diária,  natural. Como o povo tem senso utilitário muito alto, as coisas que vão  sendo substituídas por outras mais efi cientes e cômodas passam a circular  mais lentamente”.

Segundo Câmara Cascudo, os seres que povoam o imaginário dos brasileiros  são constituídos por imagens trazidas por índios, negros e portugueses,  que se modifi caram e ajustaram-se, pelo processo de aculturação. Para  ele, o saci pererê, a iara, o boitatá ou o lobisomem servem ao imaginário  do povo, não tanto para assustar mas para destruir outros medos mais  concretos. “Todas as assombrações e visagens que povam as águas, serras e  cidades do Brasil, as que aparecem nas estradas e ruas desertas às horas  abertas, meio-dia e meia-noite, crepúsculo matutino e vespertino, modifi  caram- se sensivelmente. Os nossos monstros aceitaram o processo  aculturador para adaptação psicológica ao novo ambiente, com os brancos  portugueses e os pretos da África Oriental e Ocidental”, relata. 

 

Brasil de Fato - Edição 79 - Cultura Edição Nº 79  -  Domingo, 12 de Setembro de 2004 

 

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