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Mês da música latino americana será comemorado com Hip Hop
Evandro Bonfim - jornalista da Adital
A celebração no Brasil do mês da música latino-americana terá como foco o Hip Hop,
manifestação artística surgida da década de 1980 que inclui dança
(break), música (rap) e artes plásticas (grafitti). Serão cinco
shows de artistas da Argentina, México, Cuba e Brasil, que se
apresentarão no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), na cidade do
Rio de Janeiro, às terças-feiras de todo o mês de junho, dentro da
programação do evento "O Hip Hop Latino-Americano", organizado pela
entidade brasileira Central Única de Favelas (Cufa).
Originado na confluência das comunidades negras e hispânicas do
Estados Unidos, a força expressiva do Hip Hop logo se espalhou pelo
restante do Continente como forma de denúncia social e veículo de
divulgação do cotidiano de parcelas esquecidas das populações de
grandes centros urbanos, seja dos ghettos e slums estadunidenses,
das chabolas e villas da América de língua espanhola ou da favela
brasileira. Assim, não deve causar a admiração a existência de
diversos grupos e músicos de rap com produção consistente cantando
em espanhol e português americanos o rithym and poetry (o
significado da sigla rap, referente a maneira de cantar quase falada
e rimada).
A abertura do evento aconteceu hoje com a apresentação da rapper
brasileira Nega Gizza, que se destaca por ser uma das poucas
cantoras femininas de rap na região e ter fundado, na condição de
residente de periferia, a Central Única de Favelas, com trabalho
voltado para o Hip Hop.
A programação conta ainda com os shows do mexicano Bocafloja (08 de
junho), formado pelo DJ Rafael Sosa e o MC Bocafloja Aldo Villegas;
do grupo feminino argentino Actitud Maria Marta (15 de junho),
vinculados a grupos de defesa dos Direitos Humanos como as Mães da
Plaza de Mayo; e do rapper cubano Andrés Daniel, o Papo Record (22
de junho).
O encerramento do festival será por conta de MV Bill, carioca
oriundo da comunidade de Cidade de Deus, conhecida
internacionalmente depois de filme homônimo com indicações ao Oscar
deste ano. A Cidade de Deus se trata de um conjunto habitacional
para onde foram mandados à força e em condições precárias moradores
de favelas da parte mais rica do município do Rio de Janeiro, a Zona
Sul, gerando um situação de instabilidade social muitas vezes
traduzida em violência.
Com essas apresentações, os organizadores esperam mostrar "o relato
do cotidiano sofrido das periferias e os anseios dessas
comunidades", através dos grupos que tem o rap como estilo comum,
que assim vão poder exprimir nas letras de suas canções "as
particularidades da região da qual descendem".
www.adital.org.br
1º.junho/2004
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