Latinoamerica-online

 

Cultura, Società e Il Mondo dei Caraibi

Afroamerica

 

di Mariella Moresco Fornasier

 

 

bandiera ideata nel 1917 da Marcus Garvey per il rientro 

nella "nuova patria" africana dei neri americani

 

 

Altre pagine di Afroamerica

 

Altre pagine della cultura

  

  Archeologia e storia dei caraibi

 

 

Voci dell' Afroamerica

 

Grupo Resurrección, Huellas del pasado  

Dofimé - Racconto popolare haitiano (testo in creolo e in francese)

Derek Walcott: il negro rosso che ama il mare  (poesia)

Omaggio alla Donna Negra / Homenaje a la mujer negra

 

 

 

Il Mondo dei Caraibi

ogni martedì l'attualità e la cultura dei Caraibi

 

 

Deus é negro    (25 novembre 2003)

Incra reconocerá, demarcará y dará títulos a áreas quilombolas   (25 novembre 2003)

 

La mappa di tutte le nostre pagine

       

 

mondocaraibi@yahoo.it

Deus é negro

Frei Betto - escritor, autor de "Batismo de Sangue" (Casa Amarela), entre outros livros.

Trago no sangue uma África. O reboar de tambores, a ponta afiada de lanças, os riscos coloridos realçando a pele e, na boca, o gosto atávico dos frutos do Jardim do Éden. Na alma, as cicatrizes abertas de tantos açoites, o grito imperial dos caçadores de gente, os filhos apartados de seus pais e os maridos de suas mulheres, o balanço agônico da travessia do Atlântico e, nos porões, a morte ceifando corpos engolidos pelo mar e triturados pelos dentes afiados dos peixes.

Sou filho de Ogum e Oxalá, devoto de Iemanjá, a quem elevo as oferendas de todas as dores e cores, lágrimas e sabores, o choro inconsolável das senzalas, a carne lanhada de cordas, os pulsos e os tornozelos a ferros, a solidão da raça, o ventre rasgado e engravidado pela feroz pulsão dos senhores da Casa Grande.

Restam-me, na cuia de madeira, as sobras do suíno descarnado e, enquanto a mesa colonial saboreia o lombo, rasgo peles e orelhas, refogo em banha o feijão, fatio em paio as carnes, frito lingüiças e torresmos, apimento e condimento, e me empanturro. No alambique, colho a seiva ardente da cana, e me transporto aos ancestrais, às savanas e florestas, ao tempo de imensurável liberdade.

Nas noites de Casa Grande vazia e capatazes bêbados, enfeito o meu corpo de tinturas e, espelhado no reflexo da Lua, adorno braços e pernas, cubro-me de colares e braçadeiras e, ao som inebriante do batuque, danço, danço, danço, exorcizando tristezas, exconjurando maus espíritos, imprimindo ao movimento de todos os meus membros o impulso irrefreável do vôo do espírito.

Sou escravo e, no entanto, senhor de mim mesmo, pois não há ferrolho que me tranque a consciência nem moralismo que me faça encarar o corpo com os olhos da vergonha. Faço do sexo festa, do carinho, liturgia, do amor, bonança, multiplicando a raça na esperança de quem fertiliza sementes. Dou ao senhor novos braços que haverão de derrubá-lo de seu trono.

Comungo a exuberância da natureza, as copas das árvores são meus templos, do fogão de lenha trago as ofertas, em meu ser trafegam, céleres, cavalos alados, e sigo o mapa traçado pelos búzios, que me ensinam que não há dor que sempre dura, mas o verdadeiro amor perdura. Tão povoado é o céu de minhas crenças que não rejeito nem mesmo a santeria do clero. Antes, reverencio o cavalo de são Jorge, transfiro aos altares a devoção aos meus orixás, lanço ao rio a Virgem negra na fé de que, entre tantas brancas, trazidas no andor do senhor de escravos, chegará o tempo em que a minha será Aparecida e, a seus pés, também os joelhos dos brancos haverão de se dobrar.

Sou liberto e, no fundo das matas, recrio um espaço de liberdade, defendendo com espírito guerreiro o meu reduto de paz. No quilombo, volto à África, resgato a força mistérica do meu idioma, celebro reisados e congadas, o canto livre ecoando no coro da passarada, as águas da cachoeira expurgando-me de todo temor, as árvores em sentinela cobertas de mil olhos vigilantes.

Cidadão brasileiro, ainda luto por alforria, empenhado em abolir preconceitos e discriminações, grilhões forjados na inconsciência e inconsistência dos que insistem em fazer da diferença divergência e ignoram que Deus é também negro.


www.adital.org.br    22.novembro/2003

Incra reconocerá, demarcará y dará títulos a áreas quilombolas



Ministerio del Desarrollo Agrario (MDA)

 

Áreas pertenecientes a remanecientes de quilombos (comunidades de esclavos fugitivos) serán tituladas por el Instituto Nacional de Colonización y Reforma Agraria (Incra). El presidente Luiz Inácio Lula da Silva firmó hoy, 20 de noviembre, un decreto que transfiere al órgano responsable de la reforma agraria la competencia para identificar, reconocer, delimitar, demarcar y titular las tierras ocupadas por los remanecientes de comunidades de los quilombos. El decreto fue firmado en Serra da Barriga, Alagoas, durante las conmemoraciones que se están realizando por el Día Nacional de la Conciencia Negra.

Este decreto es resultado del Grupo de Trabajo Interministerial coordinado por la Secretaría Especial de Políticas de Promoción de la Igualdad Racial y el Gabinete de la Presidencia de la República. El GT fue constituido con la finalidad de reglamentar el Artículo 68 del Acto de las Disposiciones Constitucionales Transitorias que define que "a los remanecientes de las comunidades de los quilombos que estén ocupando sus tierras es reconocida la propiedad definitiva, debiendo el estado que emitirles los títulos respectivos".

En mayo de 2003, el GT surgió para formular propuestas de políticas públicas que garanticen la reglamentación de ese artículo. A partir de esa idea se le atribuyó al Ministerio de Desarrollo Agrario, por medio del Incra, la responsabilidad de implementar las acciones de regularización de tierras de esas comunidades.

El decreto prevé posibilidades de desapropiación de áreas determinadas para su reconocimiento y una creación de instrumentos y políticas de etno-desarrollo para garantizar la preservación de sus características culturales.

Actualmente, de 2.000 comunidades quilombolas existentes en el Brasil, son 743 las que se encuentran oficialmente identificadas y apenas 29 de esas comunidades tienen sus tierras tituladas; de esa cifra sólo 71 áreas fueron tituladas en los últimos 15 años. Estas comunidades ocupan cerca de 30 millones de hectáreas y tienen una población aproximada de 2 millones de habitantes.

www.adital.org.br  Adital/ MDA - 20.noviembre/2003 

Latinoamerica-online - Cultura, Società e Il Mondo dei Caraibi 

Ass. Cult. IMAGO MUNDI 

Direttore Mariella Moresco Fornasier

Registrazione presso il Tribunale di Milano n. 768 del 1/12/2000 

Tutti i diritti riservati