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di Mariella Moresco Fornasier

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Encontro apresenta documento de avaliação dos Cerrados piauienses    (16 settembre 2003)

 

 

mondocaraibi@yahoo.it

Encontro apresenta documento de avaliação dos Cerrados

piauienses

 

 

foto:  www.polmil.sp.gov.br/unidades/ cpfm/conceitos.htm

 

 


Foi divulgo ontem, dia 9, pela coordenação do Primeiro Encontro sobre Cerrados: Ocupar com Sustentabilidade, realizado nos dias 29 e 30 de agosto deste ano, na cidade de Uruçuí, Estado do Piauí, Brasil, o documento final do encontro. A "Carta dos Cerrados" mostra como resultado um diagnóstico da realidade, bem como proposições para referências em tomadas de decisões.

Concluiu-se que falta um modelo de Gestão Ambiental que ofereça um eficiente e racional Plano de Manejo para a conservação (uso direto sustentável) e preservação (uso indireto em grandes áreas protegidas) dos Cerrados piauienses.

A falta de políticas públicas e de efetivas decisões políticas, provocando uma omissão do Estado em todos os níveis, contribui decididamente com a situação de ingerência na utilização dos recursos naturais dos Cerrados. A desatenção oficial tem permitido evidentes desobediências à legislação ambiental vigente, fato que vem provocando o uso indevido e predatório dos Cerrados, não protegendo com eficiência as Áreas de Preservação Permanente, não estabelecendo com segurança biológica as Reservas Legais e não definindo as indispensáveis Unidades de Conservação.

Os pertinentes Estudos de Impactos Ambientais dos empreendimentos localizados nos Cerrados piauienses têm se mostrado sem consistência técnica, não atendendo as exigências legais, não apresentando diagnósticos precisos e assim, não contribuindo para impedir, mitigar ou compensar os processos de degradação ambiental que ocorrem na macro-região. Os Relatórios de Impactos Ambientais (EIA/RIMA) são peças fictícias sobre realidades inexistentes, adequadas apenas a instrumentar o poder, como pode ser visto no estudo da rodovia que cruza os Cerrados, cortando perigosamente a Estação Ecológica de Uruçuí-Una, importante e única Unidade de Conservação Federal da região.

O EIA (relatório técnico) da única indústria de esmagamento de soja da região, não apresentou o indispensável RIMA, relatório em versão popular para que todos possam entender os impactos ambientais positivos e negativos que serão motivados pelo empreendimento, provocando a falta da Audiência Pública no processo de licenciamento.

São tantos os erros técnicos nestes estudos ambientais, indevidamente aprovados pelas entidades estaduais licenciadoras e fiscalizadoras, que se torna indispensável à ação reparadora do Ministério Público para que se exija um Termo de Ajuste de Conduta Ambiental, requerendo-se os estudos complementares que não foram efetuados.

Deve ser salientado que os Cerrados piauienses são únicos no Brasil, pois são ainda primitivos, ocupando grandes extensões entre a Caatinga e a Pré-Amazônia Maranhense, constituindo-se em ambientes ecotonais de inestimável valor biológico, prevendo-se que serão muito valorizados como banco de germoplasma para a biotecnologia, hoje a mais avançada das ciências.

Adital -10.setembro/2003

 

Aspectos a serem garantidos segundo a Carta dos Cerrados


Tendo em vista este diagnóstico da situação dos Cerrados do Piauí, propõe-se a implantação de um modelo de Gestão Ambiental, tecnicamente formulado, que seja discutido por toda a sociedade e que contemple um macro-zoneamento ecológico-socioeconômico, visando sociedades sustentáveis, onde possam ser garantidos os seguintes aspectos.

01. Criação e implantação de Unidades de Conservação, incluindo Parques Estaduais, Estações Ecológicas, Reservas Biológicas e Reservas Extrativistas, para conservação e preservação da Biodiversidade.

02. Proteção efetiva dos rios e demais cursos d’águas com a conservação das nascentes e matas ciliares.

03. Efetivação das pesquisas básicas para orientação das atividades de manejo ambiental, prevendo-se um programa de recuperação de áreas desmatadas empregando-se espécies nativas e enriquecimentos de espécies frutíferas, espécies ameaçadas, possibilitando o extrativismo conservacionista.

04. Implantação de projetos de convivência com os Cerrados com base em estudos histórico-antropológico-culturais, protegendo-se a fauna, a flora, os solos e os recursos hídricos, principalmente nas veredas ou baixões onde se concentram os pequenos agricultores.

05. Estudo das implicações ambientais, principalmente na flora e na fauna da matriz energética industrial à base de lenha derivada de desmatamentos de Cerrados primitivos.

06. Planejamento ambiental para delimitação das áreas de desmatamentos, mantendo-se os Corredores Ecológicos de Cerrados, integrando-se os ambientes de chapadas e veredas ou baixões.

07. Desenvolvimento de programas efetivos dos governos para fiscalização e monitoramento do bioma dos Cerrados.

08. Aumento da porcentagem de Reserva Legal nas propriedades agrícolas, visando a proteção da biodiversidade junto das monoculturas e a conservação dos Cerrado piauienses.

09. Desenvolvimento em larga escala, nas áreas urbanas e rurais, de eficientes programas de Educação Ambiental, com o treinamento e valorização dos Professores e fornecimento de equipamentos para as escolas.

10. Criação de Banco Genético como reserva de germoplasma de espécies dos Cerrados, com o objetivo de produção de sementes e mudas para o fomento dos processos de recuperação dos Cerrados.

Deve ser sempre lembrado, que a maior riqueza dos Cerrados é a sua Biodiversidade, e por ela, somente através dela, pelo seu uso direto racional sustentável nas áreas antrópicas e pelo seu uso indireto nas áreas de preservação, mantendo-se a evolução natural deste bioma, se alcançarão sociedades sustentáveis na busca do desenvolvimento sustentável da região, promovendo a inserção dos diversos atores na construção de novas relações com a natureza, e priorizando a importante justiça social.

10.setembro/2003 

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Ass. Cult. IMAGO MUNDI

Direttore Mariella Moresco Fornasier

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