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Violência no campo bate recorde em 2003


Rogéria Araújo 

 


 

foto: www.tmcrew.org/ int/semterra

 

Às vésperas do Dia Internacional de Luta pela Terra, a Comissão da Pastoral da Terra (CPT) divulgou dados nada animadores, resultados dos conflitos no campo durante o ano de 2003 no Brasil. Em relação a 2002, o número de assassinatos aumentou 69.8%. Ou seja: 73 trabalhadores foram mortos no ano passado.

Em todo o território brasileiro aconteceram 1.690 conflitos, número inédito que registra o aumento da participação de mais camponeses envolvidos na luta pela terra (cerca de 1.190.580). A apresentação do caderno especial feito pela Comissão com os dados salienta que o aumento da violência tem sido constante, muito mais elevado do que nos anos anteriores.

Ressalta que, no governo atual, os Sem-Terra (participantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) deixaram de ser tratados como membros de um "movimento criminoso". Mas os avanços não passaram desse tratamento cordial. Na prática, a Reforma Agrária é considerada insatisfatória e o número de famílias assentadas no ano passado e neste ano é irrisório.

Se os movimentos dos trabalhadores que precisam de terra para plantar se desenvolveu e se organizou nesses últimos anos, o latifúndio também arrumou meios para se fazer cada vez mais presente e ameaçador. Em 2003, o Poder Judiciário brasileiro emitiu ordens de despejo contra 35.292 famílias (176.485 pessoas), "um número recorde desde que a CPT começou a fazer o registro desses dad
os e, possivelmente, um recorde histórico em toda a história brasileira. Um aumento de 263,2% sobre os números do ano de 2002", segundo informa o texto de apresentação. A quantidade de famílias expulsas no ano passado também superou o número do ano passado em 151,4%.

No mapeamento feito pela Comissão, a região Centro-Oeste lidera o ranking de conflitos pela terra com 310.592, concentrando 26,9% do total. Também é por lá que o número de pessoas expulsas pelo Poder Judiciário é maior, 62.995. Numa análise do professor Carlos Walter Porto Gonçalves, os dados revelam bem mais do que aparentam: revelam um envolvimento cada vez mais massivo da população da zona rural. O levantamento cita o Estado do Mato Grosso, no centro do país, onde 40% da população rural fazem parte dos conflitos.

O Pará, no norte, cenário do massacre do Eldorado dos Carajás, que deixou 19 agricultores mortos, a violência ainda é uma constante. Dos 73 assassinatos registrados pela CPT, 33 foram no território paraense. No entanto, o índice relativo, mostra que o Mato Grosso ainda é mais violento, ficando com 7,6. Enquanto o Pará fica com 6,9.

 


 

Violencia en el campo bate record en 2003

 

Rogéria Araujo

 

En vísperas del Día Internacional de Lucha por la Tierra, la Comisión de la Pastoral de la Tierra (CPT) divulgó datos nada alentadores, resultados de los conflictos en el campo durante el año 2003 en Brasil. En relación a 2002, el número de asesinatos aumentó un 69.8%. O sea: 73 trabajadores fueron muertos el año pasado.

En todo el territorio brasilero acontecieron 1.690 conflictos, número inédito que registra el aumento de la participación de más campesinos involucrados en la lucha por la tierra (cerca de 1.190.580). La presentación del cuaderno especial realizado por la Comisión con los datos destaca que el aumento de la violencia ha sido constante, mucho más elevado que en los años anteriores.

Resalta en este informe al gobierno actual, los Sin Tierra (participantes del Movimiento de los Trabajadores Rurales Sin Tierra) dejaron de ser tratados como miembros de un "movimiento delictivo". Pero los avances no pasaron de ese trato cordial. En la práctica, la Reforma Agraria es considerada insatisfactoria y el número de familias asentadas el año pasado y en este año es irrisorio.

Si los movimientos de los trabajadores que necesitan tierra para plantar se desarrolló y se organizó en estos últimos años, el latifundio también organizó medios para hacerse cada vez más presente y amenazador. En 2003, el Poder Judicial brasilero emitió órdenes de desalojo contra 35.292 familias (176.485 personas), "un número record desde que la CPT comenzó a realizar el registro de los datos y, posiblemente, un record histórico en toda la historia brasilera. Un aumento de 263,2% sobre los números del año 2002", según informa el texto de presentación. La cantidad de familias expulsadas el año pasado también superó el número del año anterior en un 151,4%.

En el mapeo realizado por la Comisión, la región Centro-Oeste lidera el ranking de conflictos por la tierra con 310.592, concentrando el 26,9% del total. También es por allá que el número de personas expulsadas por el Poder Judicial es mayor, 62.995. En un análisis del profesor Carlos Walter Porto Gonçalves, los datos revelan mucho más de lo que aparentan: revelan un involucramiento cada vez más masivo de la población de la zona rural. El relevamiento cita el Estado de Mato Grosso, en el centro del país, donde el 40% de la población rural son parte de los conflictos.

En Pará, en el norte, escenario de la masacre de Eldorado dos Carajás, que dejó a 19 agricultores muertos, la violencia todavía es una constante. De los 73 asesinatos registrados por la CPT, 33 fueron registrados en el territorio paraense. Sin embargo, el índice relativo, muestra que Mato Grosso todavía es más violento, quedando con 7.6. Mientras que Pará queda con 6.9.

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www.adital.org.br   19 de abril de 2004

 

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