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Escolas
brasileiras trocam experiências através do Fome Zero
Escuelas
brasileras intercambian experiencias a través del
Hambre Cero
Escolas
brasileiras trocam experiências através do Fome Zero
Ana Karla Dubiela - jornalista da Adital destacada para cobrir a
mobilização social do Programa Fome Zero.
Crianças e
adolescentes da mesma faixa etária, em todo o país, começam a trocar
experiências, ajuda e até visitas. Além dos alunos, suas famílias,
professores e funcionários da escola também mantêm o intercâmbio. Esta
é a idéia do Programa Rede de Escolas-Irmãs, criado no ano passado e
que funciona como um dos ramos da mobilização social do programa Fome
Zero, que tem como objetivo a inclusão social. "Vamos promover uma
escola que ajude o Brasil a descobrir o Brasil, a desenvolver parcerias
para o fortalecimento da cidadania, a construção da auto-estima dos
jovens que vivem as diferentes realidades do país", explica Frei
Betto, coordenador da Mobilização Social do Programa Fome Zero.
A idéia é aproximar pessoas das escolas particulares de outras que
estudam nas áreas atendidas pelo Fome Zero. Já participam do programa
Escolas-Irmãs unidades escolares dos estados da Paraíba, Pernambuco, Rio
Grande do Norte, Bahia e Piauí, no Nordeste do Brasil, que se
correspondem com outras situadas no Sudeste. "Uma escola de Belo
Horizonte (capital de Minas Gerais, no sudeste) manteve contato com uma da
Paraíba e acabou descobrindo que uma das suas necessidades era um
equipamento de vídeo. A escola mineira conseguiu mobilizar-se, arrecadou
recursos e comprou o equipamento para a escola. Esse foi um exemplo
material. Mas a idéia é estender isso para a aprendizagem, para a troca
de conhecimento e experiências entre os estudantes, as famílias e o
corpo funcional da escola", diz Frei Betto.
Em palestra para um público de 3 mil pessoas, no Fórum Mundial de Educação,
realizado em São Paulo (sudeste), na primeira semana de abril, Frei Betto
sentiu crescer o interesse pelo assunto. "Nós contamos com toda a
rede envolvida no Fome Zero para disseminar o programa em todo o Brasil,
especialmente nos municípios que são alvo do Fome Zero e que, portanto,
são mais carentes. Nossa função é a de intermediar esses contatos,
através da indicação de preferência dos próprios interessados. Se uma
escola de Brasília quiser estreitar laços com uma do Piauí, vamos
viabilizar esse encontro", diz.
De acordo com a coordenadora do programa, a professora da PUC (Pontifícia
Universidade Católica) de Brasília, Cláudia Garcia, essa comunicação
se desenvolve em três momentos. A primeira troca de cartas visa humanizar
a relação e permite que as crianças se conheçam pelo nome. Num segundo
momento há o intercâmbio de experiências, em que um envia ao outro o
que é importante no seu dia-a-dia, como uma receita de bolo ou um roteiro
de uma brincadeira típica de sua região, dificuldades, sonhos. "É
a hora da troca cultural e material, incluindo experiências educativas
bastante enriquecedoras, inclusive entre as professoras", ressalta a
coordenadora. Conforme o aprofundamento dessa relação, deve ocorrer a
visita entre as escolas. "Quase 40 crianças da Escola das Nações,
localizada no Lago Sul, em Brasília, foram a Teresina de Goiás, para uma
vista a uma escola quilombola. No momento, cerca de 100 escolas estão
envolvidas na rede escolas-irmãs e temos a intenção de envolver também
as universidades. A Universidade Católica de Brasília já mostrou
interesse em participar", adianta Cláudia. Cada escola se compromete
a apresentar um relatório sobre a experiência, após ano de participação
no programa.
Crianças e adolescentes da mesma faixa etária, com problemas comuns e
semelhanças próprias da idade, revelam suas semelhanças e trabalham as
diferenças, ampliadas pelas deferentes realidades que vivem. "A
partir dessas diferenças, vão sendo detectadas carências, materiais ou
não, e uma escola pode ajudar a outra a resolver. Nesse momento, se uma
é deficiente em nutrição, a outra pode contribuir com folders
educativos sobre o assunto, por exemplo. O importante é que cada uma se dê
conta da importância da troca: de conhecimento, de experiências e de
afeto. Assim eles terão maior consciência de cidadania e solidariedade",
espera a coordenadora.
O público-alvo do programa Rede de Escolas-Irmãs está nos municípios
da região do semi-árido nordestino (incluindo os vales do Jequitinhonha
e do Mucuri, em Minas Gerais), os lixões, as comunidades quilombolas e
indígenas, periferias, os assentamentos e acampamentos rurais, em uma
ponta, e escolas de ensino fundamental e médio de todo o país, em outra
. Para intermediar a comunicação, estão sendo contatados os técnicos
do Fome Zero, associações educativas como a Associação de Educação
Católica, escolas ligadas à Unesco e à União Nacional dos Dirigentes
Municipais de Educação (Undime). "É importante frisar que esse não
é um movimento de um partido, de um governo, de uma outra religião, mas
um movimento de todos os brasileiros, interessados na formação de uma
sociedade melhor", esclarece Cláudia. Entre os resultados esperados
estão a conscientização e conhecimento da realidade social do país e
de sua própria região, a melhora na escrita, leitura, capacidade de
expressão dos alunos e auto-estima.
Já estão em circulação duas cartilhas explicativas sobre o programa: Escolas
Irmãs – Uma Experiência para Sempre e Programa Escolas-Irmãs.
Elas dão algumas diretrizes sobre os projetos que podem ser desenvolvidos
a partir da relação entre as escolas: ajuda na formação e qualificação
dos professores, doação de material pedagógico ou didático, melhoria
do acervo da biblioteca, dos equipamentos de esporte, lazer e cultura,
assessoria didático-pedagógica e programas de inclusão digital. Quanto
às condições de saúde e educação alimentar e nutricional podem ser
promovidas ações para enriquecimento da merenda escolar, estímulo ao
Fome Zero no município, criação de projetos curriculares de educação
alimentar, higiene alimentar e programas de hortas escolares.
São sugeridos ainda programas de viagens para troca de experiências e
elaboração de projetos interdisciplinares sob a supervisão dos
professores e oferta de cursos de qualificação profissional de curta
duração, como incentivo à empregabilidade e geração de renda. Os
interessados em participar do Programa Escolas-Irmãs, obter maiores
informações ou divulgá-lo, podem enviar mensagens para o e-mail
escolasirmas@yahoo.com.br ou carta para Assessoria Especial da Presidência
da República, Praça dos Três Poderes, Anexo II do Palácio do Planalto,
sala 214, CEP 70150-900, Brasília, Distrito Federal.
www.adital.org.br
3.maio/2004
Escuelas
brasileras intercambian experiencias a través del Hambre Cero
Ana Karla Dubiela
- periodista de Adital destacada para cubrir la
movilización social del Programa Hambre Cero.
Niños y
adolescentes, en todo el país, comienzan a intercambiar experiencias,
ayuda y hasta visitas. Además de los alumnos, sus familias, profesores y
funcionarios de la escuela también mantienen el intercambio. Esta es la
idea del Programa Red de Escuelas Hermanas, creado como una de las ramas
de la movilización social del programa Hambre Cero, que tiene como
objetivo la inclusión social. "Vamos a promover una escuela que
ayude a Brasil a descubrir el Brasil, a desarrollar cooperaciones para el
fortalecimiento de la ciudadanía, la construcción de la autoestima de
los jóvenes que viven las diferentes realidades del país", explica
Frei Betto, coordinador de la Movilización Social del Programa Hambre
Cero.
La idea es aproximar a las personas de las escuelas particulares a otras
que estudian en las áreas atendidas por el Hambre Cero. Ya participan del
Programa Escuelas Hermanas unidades escolares de los estados de Paraíba,
Pernambuco, Rio Grande do Norte, Bahia y Piauí, en el nordeste de Brasil,
que se cartean con otras situadas en el sudeste. "Una escuela de Belo
Horizonte (capital de Minas Gerais, en el sudeste) mantuvo contacto con
una de Paraíba y terminó descubriendo que una de sus necesidades era un
equipo de video. La escuela minera consiguió movilizarse, recaudó
recursos y compró el equipamiento para la escuela. Este fue un ejemplo
material. Pero la idea es extender eso al aprendizaje, para el intercambio
de conocimiento y experiencias entre los estudiantes, las familias y el
cuerpo funcional de la escuela", dice Frei Betto.
En palestra para un público de 3 mil personas, en el Foro Mundial de
Educación, realizado en São Paulo la primera semana de abril, Frei Betto
percibió el crecimiento del interés por el tema. "Nosotros contamos
con toda la red involucrada en el Hambre Cero para diseminar el programa
en todo Brasil, especialmente en los municipios que son objeto del Hambre
Cero y que, por lo tanto, son los más carentes. Nuestra función es la de
intermediar esos contactos, a través de la indicación de preferencias de
los propios interesados. Si una escuela de Brasilia quiere estrechar lazos
con una de Piauí, vamos a generar ese encuentro", dice.
De acuerdo con la coordinadora del programa, la profesora de la PUC
(Pontificia Universidad Católica) de Brasilia, Cláudia Garcia, esa
comunicación se desarrolla en tres momentos. El primer intercambio de
cartas apunta a humanizar la relación y permite que los niños se
conozcan por el nombre. En un segundo momento viene el intercambio de
experiencias, en que uno envía al otro lo que es importante en su
cotidianeidad, como una receta de torta o un itinerario de una broma típica
de su región, dificultades, sueños. "Es la hora del intercambio
cultural y material, incluyendo experiencias educativas bastante
enriquecedoras, inclusive entre las profesoras", resalta la
coordinadora. Conforme la profundización de esa relación avanza, debe
tener lugar después la visita entre las escuelas. "Casi 40 niños de
la Escuela de las Naciones, ubicada en Lago Sul, en Brasilia, fueron a
Teresina de Goiás, para visitar una escuela quilombola (remanecientes de
esclavos negros). Por el momento, cerca de 100 escuelas están
involucradas en la red escuelas hermanas y tenemos la intención de
comprometer también a las universidades. La Universidad Católica de
Brasilia ya mostró interés en participar", adelanta Cláudia. Cada
escuela se compromete a presentar un informe sobre la experiencia, después
de un año de participación en el programa.
Niños y adolescentes de la misma faja etaria, con problemas comunes y
semejanzas propias de la edad, revelan sus semejanzas y trabajan las
diferencias, ampliadas por las diferentes realidades que viven. "A
partir de esas diferencias, van siendo detectadas carencias, materiales o
no, y una escuela puede ayudar a otra a resolverlas. En ese momento, si
una está deficiente en nutrición, la otra puede contribuir con folletos
y cuadernillos educativos sobre el tema, por ejemplo. Lo importante es que
cada una se dé cuenta de la importancia del intercambio de conocimiento,
de experiencias y de afecto. Así ellos tendrán mayor conciencia de
ciudadanía y solidaridad", dice con esperanza la coordinadora.
El público al cual está dirigido el programa Red de Escuelas Hermanas
está en los municipios de la región del semiárido nordestino (incluyendo
los valles de Jequitinhonha y de Mucuri, en Minas Gerais), en los
basurales, en las comunidades quilombolas e indígenas, en las periferias,
en los los asentamientos y campamentos rurales en una punta, y en las
escuelas de enseñanza primaria y secundaria de todo el país. Para
intermediar la comunicación están siendo contactados los técnicos del
Hambre Cero, asociaciones educativas como la Asociación de Educación Católica,
escuelas vinculadas a la Unesco y a la Unión Nacional de Dirigentes
Municipales de Educación (Undime). "Es importante destacar que éste
no es un movimiento de un partido, de un gobierno, de una religión, sino
un movimiento de todos los brasileros, interesados en la formación de una
sociedad mejor", aclara Cláudia. Entre los resultados esperados están
la concientización y el conocimiento de la realidad social del país y de
su propia región, la mejoría en la escrita, lectura, capacidad de
expresión de los alumnos y su autoestima.
Ya están en circulación dos cuadernillos explicativos sobre el programa:
Escuelas Hermanas – Una Experiencia para Siempre y Programa Escuelas
Hermanas. Dan algunas directrices sobre los proyectos que pueden ser
desarrollados a partir de la relación entre las escuelas: ayuda en la
formación y capacitación de los profesores, donación de material pedagógico
o didáctico, mejora del acervo de la biblioteca, de los equipamientos de
deporte, ocio y cultura, asesoría didáctico-pedagógica y programas de
inclusión digital. En lo que se refiere a las condiciones de salud y
educación alimentaria y nutricional pueden ser promovidas acciones para
el enriquecimiento de la merienda escolar, estímulo al Hambre Cero en el
municipio, creación de proyectos curriculares de educación alimentaria,
higiene alimentaria y programas de huertas escolares.
Son sugeridos además programas de viajes para intercambio de experiencias
y elaboración de proyectos interdisciplinarios bajo la supervisión de
los profesores y oferta de cursos de capacitación profesional de corta
duración, como incentivo a la posibilidad de empleo y generación de
renta. Los interesados en participar del Programa Escuelas Hermanas,
obtener mayores informaciones o divulgarlo, pueden escribir a escolasirmas@yahoo.com.br
o enviar carta a la Asesoría Especial de la Presidencia de la República,
Praça dos Três Poderes, Anexo II del Palacio del Planalto, sala 214, CEP
70150-900, Brasilia, Distrito Federal.
www.adital.org.br
3.mayo/2004
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