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Brasil - Segurança alimentar -  Transgênicos não acabam com a fome 

 

 

 

Tatiana Merlino   da Redação  Jornal Brasil de Fato


    

 

foto: http://www.uneabasto.com


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está prestes a entrar novamente em contradição. Na volta de sua viagem a Nova York (EUA), dia 22, onde foi apresentar um projeto de combate à fome mundial na 59ª Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Lula deve assinar uma medida provisória que vai na contramão de seu discurso.


Para atender às pressões da bancada ruralista e das transnacionais produtoras de sementes, o presidente tende a liberar o cultivo e a comercialização da soja transgênica na safra 2004-05, em todo território nacional.
 "Essa é uma contradição mais do que evidente do presidente", afi rma o economista Jean Marc Von der Weid, da Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (ASPTA) sobre a defesa, fora do país, do combate à fome e, no Brasil, uma possível liberação dos transgênicos, via MP.
Ciro Corrêa, do setor de produção, cooperação e meio ambiente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) concorda. Para ele, o presidente costuma fazer um "belo discurso" no exterior, mas, aqui, "cede a toda e qualquer pressão das classes dominantes".

Ruína        

 

Para os especialistas, a liberação significa atentar contra a possibilidade de se alcançar a soberania alimentar no país e, por consequência, impedir o combate à fome. Para Von der Weid, os efeitos da liberação dos transgênicos vão desde a perda de soberania, até a ruína na agricultura familiar.
Exatamente como aconteceu no Rio Grande do Sul, onde três quartos das variedades de soja pertencem à Monsanto. Na opinião do economista, se os transgênicos forem liberados, "a Monsanto será dona de todo o país".
Com a abertura para o cultivo da soja transgênica, o governo torna evidente que o agronegócio, um dos principais sustentáculos da economia, tende a ser cada vez mais privilegiado. Com isso, a agricultura familiar, responsável pela diversidade de alimentos, e potencialmente capaz de alimentar à população, corre o risco de ser extinta.

Falácias 

 

Um dos argumentos utilizados pelos defensores dos organismos geneticamente modificados (OGMs) é que a sua liberação acabaria com a fome no mundo. Entretanto, de acordo com os pesquisadores, os transgênicos não "matam a fome de ninguém". Segundo Von der Weid, uma das razões pelas quais o argumento é falacioso é que a soja não é um produto alimentício consumido em larga escala no país.

Outro argumento utilizado em defesa dos OGMs é que sua liberação geraria um possível aumento da produtividade e, assim, barateamento dos alimentos. "As pesquisas mostram que não houve aumento da produtividade, nem barateamento dos alimentos", desmente o economista.

De acordo com os dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a fome no mundo não é provocada pela escassez de alimentos, e sim pela impossibilidade de acesso a eles. Em todo o globo, são produzidos diariamente mais de dois quilos de alimentos por pessoa. No entanto, mais da metade da população do planeta sofre com problemas relacionados à fome e à desnutrição.

Ciro Corrêa lembra que o uso de sementes geneticamente modificadas gera a dependência do agricultor, que se torna "refém" das transnacionais detentoras das patentes. "Isso representa grande derrota para a nação", avalia. A seu ver, é "preciso um governo de pulso" para barrar os interesses que se sobrepõem aos da nação. "O governo conta com apoio popular, mas cada vez mais se afasta da população", avalia Corrêa.
    

 

http://www.brasildefato.com.br    Setembro de 2004 São Paulo - Brasil

 

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