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Tatiana Merlino da Redação Jornal Brasil de Fato
foto: http://www.uneabasto.com
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está prestes a entrar novamente em contradição. Na volta de sua viagem a Nova York (EUA), dia 22, onde foi apresentar um projeto de combate à fome mundial na 59ª Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Lula deve assinar uma medida provisória que vai na contramão de seu discurso.
Para
os especialistas, a liberação significa atentar contra a possibilidade de se
alcançar a soberania alimentar no país e, por consequência, impedir o combate
à fome. Para Von der Weid, os efeitos da liberação dos transgênicos vão
desde a perda de soberania, até a ruína na agricultura familiar.
Um
dos argumentos utilizados pelos defensores dos organismos geneticamente
modificados (OGMs) é que a sua liberação acabaria com a fome no mundo.
Entretanto, de acordo com os pesquisadores, os transgênicos não "matam a
fome de ninguém". Segundo Von der Weid, uma das razões pelas quais o
argumento é falacioso é que a soja não é um produto alimentício consumido
em larga escala no país. Outro
argumento utilizado em defesa dos OGMs é que sua liberação geraria um possível
aumento da produtividade e, assim, barateamento dos alimentos. "As
pesquisas mostram que não houve aumento da produtividade, nem barateamento dos
alimentos", desmente o economista. De
acordo com os dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e
Agricultura (FAO), a fome no mundo não é provocada pela escassez de alimentos,
e sim pela impossibilidade de acesso a eles. Em todo o globo, são produzidos
diariamente mais de dois quilos de alimentos por pessoa. No entanto, mais da
metade da população do planeta sofre com problemas relacionados à fome e à
desnutrição. Ciro
Corrêa lembra que o uso de sementes geneticamente modificadas gera a dependência
do agricultor, que se torna "refém" das transnacionais detentoras das
patentes. "Isso representa grande derrota para a nação", avalia. A
seu ver, é "preciso um governo de pulso" para barrar os interesses
que se sobrepõem aos da nação. "O governo conta com apoio popular, mas
cada vez mais se afasta da população", avalia Corrêa.
http://www.brasildefato.com.br Setembro de 2004 São Paulo - Brasil |
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