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di Mariella Moresco Fornasier

 

 

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Que Fazer?

 

(poesia enviada em apoio ao Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem-Terra, de Ferreira Gullar)

 
 

Você que mora no alheio,
que anda de lotação,
que trabalha o dia inteiro
pra enriquecer o patrão
-que ainda espera desse
mundo
de injustiça e exploração?

 
Você que paga aluguel,
que pagará toda a vida
a casa que não é sua,
que pode a qualquer
momento
ser posto no olho da rua
-que pode esperar da vida
que deveria ser sua?


Que pode esperar da vida
quem a compra à prestação?
Quem não tem outra saída:
-ser escravo ou ser ladrão?
Que pode esperar da vida
que a recebe vendida
por seu pai ao seu patrão?
 

Pro patrão você trabalha
dia e noite sem parar.
Você queima a sua vida
pra ele a vida gozar.
Você gasta a sua vida
pra dele se prolongar.
Você dá duro, padece,
você se esgota, adoece,
e quando, enfim, envelhece
o que é ruim vai piorar.
 

Só então você percebe
que tempo você perdeu.
Você vê que sua vida
foi dura mas não valeu.
Você passou a seu filho
o mundo que recebeu:
O mundo injusto e sem
brilho
que, de fato, nem foi seu,
que não será do seu filho
se nele não se acendeu
o sentimento profundo
que traz o homem pra luta
-luta que fará o mundo
ser dele, ser meu, ser teu.
 

Por isso meu companheiro,
que trabalha o dia inteiro
pra enriquecer o patrão,
Te aponto um novo caminho
para tua salvação,
a salvação de teu filho
e o filho do teu irmão:
Te aponto o caminho novo
da nossa revolução.
 

Então verás que tua vida
ganha nova dimensão,
que em vez de triste e
perdida
terá força e direção.
E cada homem da rua
Verás como teu irmão
que, sabendo ou não
sabendo,
procura a libertação.
 

Sentirás que o mar que bate
na praia não bate em vão;
Que a flor que cresce no
Meyer
não cresce no Meyer em
vão;
Que o passarinho que
canta
não canta pra teu patrão;
Que a grama verde que
cresce
empurra a revolução.
  

O mundo ganhou sentido,
teu braço ganhou função.
A revolução floresce
na minha, na tua mão,
que nada há mais que a
detenha
-nem polícia nem bloqueio
nem bomba nem
"Lacerdão"-
que ela assobia no vento
e marcha na multidão,
ilumina o firmamento,
gira na constelação


porque já foi deflagrada
no meu, no teu coração.

 



 Publicado da revista Sem Terra,  edição especial de setembro de 2003

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